domingo, 26 de dezembro de 2010

Revista Mundo Evangélico
A revista Mundo Evangélico, excelente publicação cristã com grande prestígio no meio editorial, publicou mais um artigo meu, intitulado "Combatendo o evagelho egocêntrico" (edição de dezembro/janeiro).

Para ver a chamada do artigo, basta acessar o site da revista. No site também é possível comprar a revista, com pagamento via boleto ou cartão de crédito. Boa leitura!

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domingo, 5 de dezembro de 2010

Aprendendo a perdoar

Qualquer pessoa que disser que perdoar é uma tarefa fácil estará mentindo. O perdão pressupõe abrir mão dos direitos próprios contra o ofensor, justamente o motivo pelo qual é tão difícil exercitá-lo. Ninguém gosta de abrir mão de alguma coisa, ainda mais quando está certo em reclamar pelo que lhe é de direito. Mas se fosse tão fácil perdoar, não haveria necessidade de se estabelecer um princípio divino em relação ao perdão.

A sociedade onde vivemos tem suas leis. Elas funcionam como mecanismo de harmonização das relações sociais. Você já imaginou como seriam as interações entre as pessoas se não houvesse um instrumento capaz de frear as más condutas? Se com as leis, a sociedade está vivendo dias de instabilidade social, imagine como seria sem elas.

De igual modo, o mundo espiritual também tem suas leis próprias. Também chamadas de Princípios, são os responsáveis pela estabilidade e o equilíbrio entre o mundo físico e o Reino de Deus. Um dos princípios do Reino é o do perdão. Jesus disse: “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas” (Mateus 6.14,15).

Perceba que há uma relação de íntima dependência entre as nossas atitudes e a atitude de Deus. O perdão é uma das chaves que abrem a porta da comunhão com o Pai. Você deseja passar por essa porta e ter um relacionamento íntimo com o Senhor? Então libere perdão.

Sendo um princípio divino, o perdão faz parte do caráter de Deus. O Pai sempre concede a benção do perdão ao pecador arrependido que se apresenta perante ele com um coração sincero. “Mas contigo está o perdão” (Salmo 130.4).

Deus é misericordioso para nos perdoar e amoroso para esquecer o que fizemos. “Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia, e o perdão; pois nos rebelamos contra ele, e não obedecemos à voz do Senhor, nosso Deus, para andarmos nas suas leis, que nos deu por intermédio de seus servos, os profetas” (Daniel 9.9,10).

Mesmo quando fazemos tudo errado, mesmo quando contrariamos a vontade do Senhor, mesmo quando tomamos decisões que nos afastam de sua presença, nosso Pai não nos esquece. Pelo contrário, ele continua sempre disposto a nos perdoar e a nos aceitar de volta. Seu amparo está sempre presente mesmo quando estamos longe. Na verdade, nós podemos ficar distantes de Deus, mas ele nunca se distancia de nós. Ele sempre está por perto nos protegendo. “E recusaram ouvir-te, e não se lembraram das tuas maravilhas, que lhes fizeste, e endureceram a sua cerviz e, na sua rebelião, levantaram um capitão, a fim de voltarem para a sua servidão; porém tu, ó Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em beneficência, tu não os desamparaste” (Neemias 9.17).

O ato de perdoar pressupõe uma reciprocidade. Na oração ensinada por Jesus (Mateus 6.12) Deus nos perdoa na mesma proporção que perdoamos as pessoas que nos ofendem. Se o perdão liberado por nós for completo, seremos perdoados. Do contrário, se não perdoarmos de verdade, não seremos perdoados pelo Pai. Perceba que Cristo, na oração do Pai Nosso, não disse “quando perdoamos”, mas “assim como perdoamos”.

Por acaso há uma cota exata para se perdoar? Há um limite para perdoarmos aqueles que nos fazem mal? Jesus nos deu um número: “setenta vezes sete” (Mateus 18.21). Entretanto, a matemática do Mestre é diferente da nossa. Metaforicamente, isso quer dizer que devemos perdoar sempre, quantas vezes for necessário. Isso só se torna possível quando estamos com Cristo. Através da sua infinita graça, somos capacitados a praticar o perdão.

Jesus também nos ensina que o perdão deve ser sincero. “Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas” (Mateus 18.35). O Senhor abomina o engano e o fingimento. O cristão deve perdoar na certeza de que seus direitos contra o ofensor são transferidos para Deus. Devemos sempre entregar nas mãos do Pai tudo que nos aflige.

Algumas pessoas oram durante anos, sem, contudo, alcançarem êxito ou mesmo resposta dos céus. Por que isso acontece? A falta de perdão representa um impedimento para que as bênçãos do Senhor fluam. É uma lei do Reino de Deus. Contra essas leis não podemos fazer nada, tão somente obedecer. “Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas” (Marcos 11.25,26).

Perdoar facilmente é um sinal de que estamos em comunhão com o Pai (Colossenses 3.13). É preciso liberar perdão para usufruir da presença real e plena de Cristo em nossas vidas. Não guarde mágoas, rancores e ressentimentos em seu coração. Dê lugar para bons sentimentos.

Já ouvi muitas pessoas dizendo: “Eu perdôo, mas não esqueço. Ele lá e eu aqui”. Quem perdoa deve realmente esquecer o que houve e não trazer à memória a ofensa recebida a cada nova oportunidade. Quem age desse maneira demonstra não ter capacidade de perdoar e, portanto, não merece ser perdoado por Deus. Se quisermos que o Senhor nos perdoe, precisamos apagar de nossas mentes a ofensa recebida.

Assim como Deus esquece nossos erros (em Jeremias 31.34 está escrito: “Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados”), nós também devemos perdoar e, de modo sincero, esquecer. Quando ficamos livres da mágoa e da tristeza, damos lugar para Deus agir em nossas vidas. Ao liberarmos perdão, somos contemplados com toda sorte de bênçãos dos céus, como cura espiritual, libertação e fervor.

Não se esqueça de que alcançamos a salvação por intermédio do perdão divino. Deus lançou fora toda lembrança de nossos erros e nos restaurou, nos deu uma nova vida. Pense nisso na hora de perdoar quem lhe ofendeu. Mesmo cometendo muitos erros, o Senhor perdoou você.

Você é capaz de fazer o mesmo?


Renato Collyer



quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O princípio 6.6Certa vez, Jesus disse: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mateus 6.6). Jesus criticou severamente o modo como os fariseus oravam, condenando a prece pretensiosa, ostentosa e que atrai a atenção.

Cristo nos concede uma preciosa lição. Ele nos ensina sobre a intimidade com Deus. Jesus sabia dominar como ninguém a arte da comunicação. Ele dominava plenamente o uso adequado das palavras. Não estou me referindo ao modo correto do emprego das palavras ou ao conhecimento apurado da gramática. Cristo usava suas palavras como um verdadeiro canhão, capaz de transpor as barreiras do preconceito e do legalismo exacerbado, pois era o único instrumento que possuía.

Suas palavras penetravam no coração das pessoas, fazendo-as pensar, refletir e mudar de opinião. Nenhum elemento coercitivo era usado. Não era preciso. Jesus as convencia devido à veracidade que sua própria história como Filho de Deus transmitia. Quando outros elementos, como a coerção, são necessários para que nossas idéias sejam aceitas, revelamos o quanto elas carecem de sustentabilidade própria.

No sentido que Jesus estava empregando as palavras para que seus seguidores o entendessem, “aposento” ou “quarto de portas fechadas” está profundamente relacionado à lugar de intimidade.

Não tenho formação acadêmica em Arquitetura, no entanto sei que a porta principal de uma casa deve dar acesso à sala de visitas. Simplesmente porque a sala representa um lugar de livre acesso. Qualquer pessoa pode explorá-la sem reservas. Não há nada de pessoal lá. Você não guarda sua roupas íntimas ou as jóias da família na sua sala de visitas.

Você consegue imaginar uma porta principal de uma casa dando acesso ao quarto? O motivo? O quarto é o lugar onde guardamos coisas especiais. O quarto representa nossa intimidade. Você não convida um conhecido do trabalho para tomar um refrigerante no seu quarto. Um amigo, porém, tem intimidade suficiente para assistir um filme ali.

Você consegue entender o que Jesus estava tentando ensinar aos discípulos? Ele ensinava por meio de parábolas, uma espécie de pequenas histórias de fácil compreensão. Ele usava esse método porque sabia que deste modo suas palavras poderiam ser entendidas desde o mais sábio dos escribas até o mais iletrado do povo. Cristo não usava métodos de persuasão, nem fazia uso de uma linguagem rebuscada. Pelo contrário, utilizava-se da simplicidade das parábolas para transmitir seu recado.

Nas relações interpessoais, a grande chave para se alcançar um objetivo, seja ele qual for, é criar uma rota de fácil acesso entre o emissor e o destinatário. É preciso deixar claro o que se deseja alcançar. Não adianta utilizar métodos inovadores ou experimentais se não conseguimos expressar de modo coeso nosso raciocínio. Faz-se necessário oferecer sempre uma espécie de ponto comum de raciocínio, ou o que eu chamo de Ponto de Referência.

A partir de um ponto de referência, é possível chegar a qualquer lugar, partindo-se de um ponto de comum acesso e entendimento ao ouvinte. Jesus sabia usar isso como ninguém. Ele falava das coisas sobrenaturais usando como referência simples situações do dia a dia, facilmente conhecidas por todos. Assim, Cristo discorria sobre assuntos até então inalcançáveis pelas pessoas, porém facilmente assimiláveis por causa do ponto de referência que utilizava.

Nesse caso específico, Jesus não fez uso das parábolas, mas do ponto de referência para esclarecer algumas coisas. Uma delas é que somente através da oração conseguimos conquistar a intimidade com o Pai. Sim, é uma questão de conquista. Ter comunhão com Deus é ter uma relação onde nada é escondido. Estar no quarto significa mostrar quem você realmente é, sem máscaras ou ilusões.

Está escrito: “Eu sou aquele que sonda as mentes e os corações” (Apocalipse 2.23). Deus conhece nossos pensamentos, somente Ele é capaz de saber o que se passa em nossa mente. Por essa razão, nosso Pai nos entende tão bem. Imagine aquela pessoa que você mais gosta, que mais tem afinidade (pode ser um irmão, esposo, namorado ou amigo). Agora pense como seria se essa pessoa pudesse saber tudo que se passa em sua mente. Como seria se essa pessoa pudesse ler seus pensamentos, pudesse saber o que você deseja mesmo antes de você falar qualquer palavra?

Certamente seu relacionamento com ela iria mudar. Vocês iriam ter uma forte ligação. Provavelmente essa pessoa teria um grau mais elevado de sua confiança em relação às demais. Sua amizade seria ainda mais forte. Assim acontece com Deus!

Ele nos conhece plenamente, melhor que nós mesmos. Devemos ter essa confiança nele, devemos estreitar nossa relação com o Pai. Assim como um grande amigo que sabe todos os segredos do outro, temos que ter plena confiança no Senhor e entregar em suas mãos todas as nossas aspirações, ansiedades, projetos e sonhos. Jamais duvide disto: O Pai Celestial deseja sempre o melhor para você. Como a Bíblia declara: “Se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial” (Lucas 11.13). E ainda: “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera” (Isaías 64.4).

Lembre-se de que sua oração não deve ter como propósito atrair a atenção dos homens, mas representar o meio, por excelência, de seu encontro pessoal com Deus, para que você cresça em fé e viva uma vida cheia do Espírito Santo.


Renato Collyer
(artigo publicado pelo site http://blogueiroscristaos.blogspot.com/ em 09.11.2010)