segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O cristão e a administração do dinheiro: princípios da mordomia financeira na sociedade contemporânea

Aqui está um ponto complexo, uma vez que o dinheiro se destaca como algo difícil de ser administrado. Não seria prudente dizer que somente um grupo de pessoas tem essa dificuldade. Todos estamos sujeitos a isso. Nossa intenção, aqui, é dar sugestões de como você pode contornar uma situação ruim, fruto de uma má administração financeira pessoal.

Mordomo é aquele que administra a casa de seus patrões e zela pela integridade dos bens que ali se encontram guardados. A Bíblia é a revelação da vontade divina, por esse motivo ela ensina o papel do servo de Deus como mordomo, administrador de tudo que pertence ao Pai. O ser humano, então, deve administrar com competência os bens confiados.

“E disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá” (Lucas 12.42-44).

Você precisa entender que a administração do dinheiro, seja a nível pessoal ou público, deve ser feita com responsabilidade e, acima de tudo, com honestidade. O relacionamento com o dinheiro pode direcionar o seu modo de vida. Portanto, o caminho a ser trilhado é uma decisão sua.

É preciso dar ao dinheiro o seu devido valor. Não me refiro a simples apreciação monetária, mas ao papel que ele exerce em nossas vidas. Em Timóteo 6.10, vemos que o dinheiro não é a raiz de todos os males, porquanto o amor ao dinheiro é: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”.

Quando uma pessoa concede ao dinheiro mais importância do que este, de fato, merece, acaba dando lugar à ganância e à avareza. Isto é uma realidade: quanto mais dinheiro possuímos, mais queremos tê-lo em maiores quantidade. Uma vez que nossas vontades como seres humanos são ilimitadas, sempre queremos mais. Algumas pessoas possuem dentro de si tanto a necessidade de adquirir coisas novas que chegam a ultrapassar sua própria possibilidade monetária, afogando-se em dívidas e financiamentos intermináveis.

O dinheiro não é bom ou mal em si mesmo. Nós é que damos sua destinação. Por isso, entenda que ele é um meio e não um fim. É apenas um mecanismo satisfativo. O dinheiro não existe para ser adorado, mas para ser empregado na satisfação de nossas necessidades.
O que quero dizer é que não trabalhamos por causa do dinheiro em si. Trabalhamos porque precisamos atender certas necessidades que temos como indivíduos inseridos em uma coletividade e o dinheiro é o meio que a sociedade, ao longo de sua evolução, escolheu como mola propulsora das relações comerciais. Se você trabalha unicamente para ajuntar tesouros, reveja seus conceitos e esteja disposto a aprender sobre mordomia financeira.

A utilização do dinheiro deve ser justa, honesta e racional. Lembre-se das palavras do apóstolo Paulo: “Nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (v. 10b).

O amor ao dinheiro é a raiz do mal. A Bíblia condena expressamente a avareza porque ela conduz o homem ao egoísmo. “Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13.5). É prejudicial colocar o dinheiro à frente de todas as coisas, ainda mais quando se trata de questões espirituais.

É inegável que a sociedade contemporânea gravita ao redor do dinheiro, tornando-o a razão de tudo. Mas não se esqueça de que “o que ama o dinheiro nunca se fartará dele” (Eclesiastes 5.10). De modo algum estamos dizendo que o dinheiro é prejudicial à vida do servo de Deus. Pelo contrário, o Senhor nos abençoa financeiramente porque deseja que sejamos prósperos pelo fruto de nosso trabalho. O erro está na má aplicação do dinheiro.

O verdadeiro mordomo (administrador) cristão tem o Pai Celestial como seu orientador pessoal. Sempre procure um modo de contribuir com o Reino de Deus na obtenção de seu dinheiro, ainda que este seja pouco. Não espere receber um altíssimo salário ou elevada soma em dinheiro para ajudar na obra de Deus nesta terra. A parábola de Jesus diz: “Disse-lhe o seu Senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25.23).

Algumas correntes doutrinárias que não trazem qualquer alicerce bíblico declaram que boa condição financeira caminha na contramão da espiritualidade. Isso não tem fundamento algum. Os defensores de tal corrente de pensamento se apoiam na (falsa) premissa de que a prosperidade financeira rouba a humildade do homem, afastando-o de Deus. Vemos que, diante de tal argumento, muitos são os mecanismos que podem nos afastar do Pai, sendo o amor dinheiro um deles.

A Bíblia registra um encontro de um jovem rico com Jesus (Mateus 19.16-22). Ao aproximar-se de Cristo, o jovem perguntou ao Mestre o que deveria fazer para conseguir a vida eterna, explicando que já observava os mandamentos (sendo seguidor da Lei Mosaica, é bem provável que aquele jovem fosse semelhante a um cristão de nossos dias). Ao passo que Jesus lhe disse: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me” (v. 21). O jovem retirou-se triste, pois seu amor ao dinheiro falou mais alto em seu coração.

Será que Jesus realmente queria que aquele jovem se desfizesse de tudo que tinha? A intenção de Cristo era mostrar a força e as consequências do amor ao dinheiro. Amar o dinheiro é colocá-lo acima de todas as coisas e fazer dele a prioridade maior de nossas vidas.

Como filhos de Deus e cumpridores de sua Palavra, temos livre acesso a toda sorte de bênçãos, tanto espirituais quanto materiais. Não é mais do que justo que venhamos a desfrutar uma vida financeiramente estável, fruto de uma administração pessoal em harmonia com os preceitos divinos?

Logicamente, a condição financeira é proporcional à dedicação e ao esforço de cada indivíduo. “E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus” (Eclesiastes 3.13). É também um princípio evidenciado após a desobediência do homem. “No suor do teu rosto comerás o teu pão” (Gênesis 3.19).

Devemos, portanto, nos esforçar para colocarmos o dinheiro no seu devido lugar, apenas como um meio para obtenção da satisfação de nossas necessidades como seres humanos (educação, lazer, alimentação, manutenção de uma vida social estável, entre outras) e não colocar o dinheiro num nível de importância superior até mesmo ao que damos às pessoas e a Deus. Fazer isso é colocar o dinheiro no lugar de Deus em nossas vidas. Precisamos estar sempre atentos à importância que damos ao dinheiro e jamais cair nas armadilhas que nos cercam.

Que Deus venha a lhe dar o discernimento necessário para colocar em prática os ensinamentos aqui apresentados. Que o Pai celestial sempre esteja com você!

Renato Collyer

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Fé para dias difíceis

Ser cristão não pressupõe uma vida repleta de alegrias e alheia às tribulações. Muitas pessoas têm o errôneo entendimento de que seguir a Cristo é viver num mar de rosas. O próprio Jesus disse que enfrentaríamos problemas e que passaríamos por dificuldades ao longo de nossa caminhada por este mundo (João 16.3).

Isso não quer dizer, no entanto, que nossa vida deva ser repleta somente de dificuldades e perseguições. Por sua imensa compaixão, Jesus nos assegurou bênçãos, alegria e paz. A Bíblia nos mostra que quando estamos no centro da vontade do Pai, as tribulações têm efeito positivo, porque nos ensinam a depender de seu precioso amor.

A palavra tribulação significa sofrimento, aflição e adversidade. Também representa tormento e amargura. “Eis que foi para a minha paz que tive grande amargura, mas a ti agradou livrar a minha alma da cova da corrupção; porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados” (Isaías 38.17).

Como filhos de Deus, temos paz com ele através de Jesus Cristo. Fomos justificados, tendo livre acesso à paz e às bênçãos divinas. Porém é muito fácil oferecermos louvor e ações de graças quando tudo está estável. Adorar na calmaria é simples! A Palavra de Deus nos ensina que também devemos dar glórias nas dificuldades, sabendo que a tribulação produz paciência.

A paciência nos ajuda a suportar as dores e os infortúnios com resignação. É uma atitude que expressa nossa compreensão da vontade de Deus. Mesmo sendo uma difícil lição, devemos praticar a paciência em nosso lar, depois praticá-la na igreja local, no tratamento com nossos irmãos em Cristo e até com as pessoas que nos querem mal. “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração; comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade; abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis” (Romanos 12.12-14).

A tribulação também produz experiência. Assim como um soldado que só adquire experiência no campo de batalha, a experiência cristã demanda tempo na presença do Senhor, adorando-o e servindo-o. Isso porque não se adquire experiência no momento da conversão.

Essa experiência consiste na prática dos preceitos cristãos, na medida em que se obtém conhecimentos necessários para uma vida vitoriosa em Cristo. Há cristãos que não passam na prova da experiência porque são induzidos a pular etapas quando novos na fé. Assim, eles não adquirem o conhecimento e a maturidade espiritual, imprescindíveis para encarar os problemas de frente.

Ao invés disso, murmuram contra Deus e chegam até mesmo a desistir da caminhada cristã. Em virtude disso, é imprescindível a prática da paciência para aprender as lições da experiência. Siga o exemplo de Davi: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Salmo 40.1).

Para suportar as tribulações é preciso ter fé. Certa vez, quando estava dando aula para um grupo de adolescentes, expliquei para eles que a fé em Cristo pressupõe três elementos essenciais: sensibilidadeesperança e perseverança.

Sensibilidade
. Presenciei situações de pessoas que não tiveram a sensibilidade suficiente para receber as bênçãos dos céus. Elas não estavam sensíveis à voz do Senhor. Estavam tão incrédulas que foram incapazes de sentir o mover de Deus.
Ter sensibilidade é estar atento ao chamado do Pai. É não criar barreiras internas para a ação sobrenatural do Senhor. Dentre outras razões, a falta de sensibilidade é também um dos impedimentos que obstam o agir de Deus na vida do cristão.

Quando nosso coração não está sensível, deixamos de acreditar que o milagre existiu e damos lugar à dúvida, outro fator que impede que contemplemos o Reino de Deus nesta terra. Abra seu coração e se permita depositar plenamente sua confiança no Senhor.

Esperança. O apóstolo Paulo escreveu: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5.3-5).

Esperança é a atitude de aguardar algo que se deseja e não simplesmente desistir no meio da jornada. O cristão deve esperar, confiando que Deus cumprirá todas as promessas que fez. Nos momentos de angústia não podemos perder a esperança. É um componente essencial da fé. Sem esperança, não há fé.

Jó foi um exemplo de como um servo de Deus pode ser vitorioso nas tribulações. O patriarca perdeu seus filhos e toda sua riqueza em um só dia. Mesmo diante da adversidade, lançou-se em terra e adorou ao Senhor. “Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou” (Jó 1.20).

O relacionamento com Deus não é mera teoria, mas realidade para aqueles que o buscam e esperam o cumprimento de suas promessas. “E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” (Jeremias 1.12). Nosso Pai Celestial nunca falha (Isaías 43.13) e está sempre pronto para conceder o desejo do nosso coração (Salmo 37.5), mediante sua perfeita vontade.

Perseverança. As lutas e tribulações fazem parte da vida cristã do mesmo modo que as bênçãos divinas. Jesus disse que no mundo (vida secular) teremos aflições, mas que devemos ter perseverança, pois ele venceu o mundo. As tribulações servem como aperfeiçoamento do caráter cristão.

Durante os Jogos Olímpicos, vemos diversos atletas de diferentes países competindo por uma medalha de ouro. Alguns desses atletas recebem altíssimos patrocínios e gozam de uma vida financeiramente estável. Porém muitos que ali estão não possuem sequer condições para se manterem em seu próprio país de origem. Esses últimos, entretanto, são os que recebem mais atenção da mídia quando conquistam uma medalha.

O motivo? Perseverança.

Os atletas que possuem os melhores equipamentos, a melhor estrutura, os melhores patrocinadores não chamam tanto a atenção quando conquistam a medalha porque, de certo modo, já se era esperado que eles ganhassem, que chegassem ao lugar mais alto do podium. Os verdadeiros heróis são aqueles que conseguem ultrapassar as barreiras do preconceito, do racismo, da quase miserabilidade e conquistam a medalha de ouro.

Os heróis não vivem em casas luxuosas e gozam de uma vida de fartura. Os heróis (de verdade) vencem inimigos muitos mais poderosos do que seus oponentes.

Do mesmo modo acontece na grande maratona cristã que perfazemos a cada dia. É preciso perseverança para vencer os obstáculos da vida e alcançar o grande prêmio: a coroa da vitória em Cristo.


Renato Collyer

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Download gratuito do livro "Simplesmente Filho"

O livro "Simplesmente Filho" apresenta um texto simples e direto, que proporciona ao leitor uma leitura agradável acerca de alguns pontos importantes da caminhada cristã. Leia um trecho do Prefácio do livro:

É engraçado como algumas lembranças invadem nossas mentes sem pedir licença. Recordo-me exatamente da expressão do olhar do pastor da minha antiga igreja ao me dizer: “Filho, você está disposto a aceitar a Cristo como seu Salvador? Está disposto a ter uma relação de intimidade com ele?” Com meus 7 anos de idade eu mal sabia o significado dessa palavra, mas presumi que era uma coisa maravilhosa, pois todos me olhavam alegres, fazendo questão de mostrar seu mais cristalino sorriso.

Ao longo dos anos, pude compreender mais a fundo o que intimidade com Deus significava. A cada nova oração fui capaz de sentir sua doce presença e percebi que o que Deus realmente queria de mim era minha disposição. Mas nem sempre foi assim. Reconheço que em muitas situações eu não dava muita atenção para ele. Na verdade, ele era a última pessoa a saber da minha vida. É claro que ele sabia, mas eu não fazia muita questão de contar. E quando, finalmente, eu decidia pedir sua ajuda o formalismo entrava sem qualquer cerimônia para estragar aquele momento mágico. Em função disso, as nossas conversas não eram muito longas. Na verdade, eram bastante rápidas.


Mesmo assim, continuei sempre buscando, estudando mais acerca de seu poder, amor e de sua graça. As histórias do Velho Testamento sempre me fascinaram. Quem precisa ler estórias sobre vampiros ou sobre reinos mitológicos quando se tem um pequeno jovem capaz de derrotar um gigante com apenas cinco pedrinhas? Ou quando apenas um homem é capaz de dizer para alguém “seus pecados estão perdoados”, ressuscitar os mortos, curar os doentes, dar um show de inteligência e de firmeza no meio do deserto e

salvar toda a humanidade?

Este livro representa tudo isso e mais um pouco. Ele representa um pouco da minha própria vida como cristão. Ele é fruto de alguns meses de muita dedicação, estudo, esforço e, principalmente, oração. Minha intenção foi reunir um pouco da minha própria experiência de vida com alguns conselhos que me permiti dar. Acredito piamente que há uma razão para que você esteja lendo essas palavras. Não acredito em coincidências. Tudo tem um propósito.


Este livro fala sobre algumas coisas que sempre quis perguntar. Fala sobre minha constante busca para ser notado por Deus. Porém, ao chegar ao final percebi que minha busca tinha sido em vão. Não era necessário que eu me esforçasse tanto para ser reconhecido por Deus. Eu sempre tentei chamar sua atenção. De alguma forma, lá estava eu, sempre querendo surpreender a Deus e as pessoas. Sempre buscando ser o melhor em tudo o que fazia. E, de repente, do nada, o Pai me disse: “Nada disso é importante”. Por um momento, eu me calei. Mas, depois, perguntei: “Por quê?”. Foi ai que compreendi uma das grandes verdades da vida. Ele me disse: “Porque você é simplesmente meu filho”.





Para baixar o livro em PDF, clique no link abaixo


domingo, 14 de setembro de 2014

A Política nossa de cada dia

Creio que atualmente estejamos vivendo um momento ímpar do cenário político nacional. Muito já se foi conquistado nas últimas décadas, em que conquistamos o direito do voto direto, colocamos e tiramos um presidente do poder. Como nação, conseguimos sobreviver aos penosos anos de regime militar. Alguns autores preferem chamar de Ditadura Militar, referindo a esse período como a fase em que tivemos um governo fascista, em que durante o regime pouquíssimo foi feito no tocante aos direitos individuas e que o Estado concentrava em si a administração e o controle dos mais diversos setores da sociedade e tinha como meta o poder pelo poder e não o poder como meio para se atingir as liberdades individuais e o bem comum.

A política é a ciência da organização, da direção e administração de um Estado. Para Aristóteles, a política é indissociável da moral, uma vez que o fim último do Estado é a formação moral dos cidadãos. Quanto a nós, brasileiros, estamos presenciando agora dois lados de uma moeda representados por duas mulheres: votar novamente na administração que está ou dar uma chance ao (que se diz) novo, que promete fazer uma “política limpa”, desvincular-se do que já estamos tão acostumados a ver. Será verdade? Já estamos tão descrentes na política que muitos de nós damos às costas para ela, preferimos não nos envolver. Mas parece que algo mudou, uma nova força surgiu dentro do povo brasileiro. Parece que as vendas caíram e alguns cidadãos conseguem enxergar que possuem nas mãos o poder da mudança.

Mas essa crença não é ingênua. Sabemos que muito precisa ser mudado. Também sabemos que não é a política que torna os homens corruptos. São os homens corruptos que mancham a imagem da politica. Parece que alguns de nós já entenderam isso e estão dispostos a votar conscientemente e ficarem atentos ao que de fato está sendo feito para garantir o bem comum da sociedade.

Creio que, quando há um sentimento de mudança, o que era um simples ideal pode vir a tornar-se realidade. Como povo e nação, damos novamente um voto de confiança aos políticos do Brasil, na esperança (infelizmente temos que nos agarrar a ela) de que algo novo e proveitoso poderá ser feito em benefício da coletividade.

Renato Collyer

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Weber, João Calvino, Teoria da Predestinação e Capitalismo

Max Weber, economista e sociólogo alemão, na obra "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" busca investigar as razões do Capitalismo ter se desenvolvido primeiro em países onde se iniciaram as reformas religiosas nos anos iniciais do século XVI. O autor chega à conclusão que este desenvolvimento é devido aos próprios hábitos e concepções de vida ligados ao protestantismo na época. Minha análise tem como foco principal a "Teoria da predestinação" de João Calvino. Talvez esta minha reflexão não agrade a alguns, pois coloca em cheque as ideias de um dos ícones da reforma protestante. Pensei diversas vezes em não postar sobre o assunto, mas percebo que é algo interessante refletir sobre tal temática.

Inicialmente, vale lembrar que a Igreja Católica Medieval interpretava a Bíblia à sua maneira e, no que diz respeito à riqueza, não havia muitas dúvidas: frequentemente a riqueza era associada a tabus. O primeiro desses tabus aparece no livro de Gêneses, quando Adão é expulso do Paraíso e Deus o condena a trabalhar com suas próprias mãos: 
"a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás" (Gênesis 3.17-19).

Além disso, a expressão encontrada no Evangelho de que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Marcos 10.25) também fornecia bases para se pensar a riqueza. Na Idade Média, a Igreja era a principal instituição política e religiosa e por isso os textos bíblicos eram seguidos quase que cegamente de forma literal, sem interpretação alguma. Na compreensão da Igreja, trabalhar foi uma punição recebida pelo homem por causa do pecado de Adão e Eva. Portanto, em uma sociedade na qual o trabalho é desprezado pelas classes dominantes, ele também o é pelos menos abastados. Os nobres e o clero consideravam vil trabalhar com as mãos para garantir o sustento, mesmo porque, por ser um castigo dado ao homem, o trabalho era visto como uma forma de penitência.

João Calvino (1509-1533) foi um teólogo e professor cristão francês. Veio a acrescentar novas ideias ao Luteranismo. Calvino teve um papel histórico fundamental no processo da Reforma Protestante. Foi o iniciador do movimento religioso protestante conhecido por “Calvinismo”, embora ele próprio repudiasse o nome.

Para ele, além da fé, havia a "predestinação" da alma, em que algumas pessoas já haviam sido “eleitas” para a salvação eterna. Deus enviaria os sinais para que o fiel soubesse se seria salvo ou não. Um desses sinais era a possibilidade de adquirir riquezas pelo trabalho, e essa era uma tese muito interessante para grande parte da burguesia, que ainda estava sofrendo ataques por parte da Igreja. Assim, o próprio Deus assinalaria o fiel que deveria ser salvo com uma vida de bem-estar e posses. Vale recordar que para a Igreja Católica da época a acumulação de riquezas era vista como pecado.

Assim, o que antes significava o castigo divino pelo pecado original de Adão e Eva, apregoada pela Igreja Católica Medieval, implicando dor e humilhação, passou a designar uma condição básica para a salvação diante de Deus, que poderia propiciar riqueza e dignidade. O trabalho passou a dignificar o homem e a qualificá-lo, tornando-se um indicador de posição social.

A vida após a morte era uma preocupação muito presente para os homens daquela época. A ideia de trabalhar, enriquecer e ainda assim salvar a alma mudava completamente o cenário social. Desse modo, os reis concentravam poder político e a burguesia, poder econômico. Os nobres perdiam o poder de aplicar a justiça e cobrar impostos, funções que passaram a ser papel do Estado, isto é, uma entidade política que não depende mais dos governantes. O rei ainda tem o poder, mas o Estado impõe, por sua estrutura, as formas de governar.

Os reis também procuravam se livrar do poder da Igreja Católica, submetendo-a ao seu controle. Esse foi o caso da Inglaterra, onde o rei Henrique VIII (1491-1547) desejava expandir seu poder, porém encontrava obstáculos na presença do clero. O conflito entre o rei e o papa atingiu seu ponto máximo na recusa do pontífice em conceder divórcio ao rei. Como a rainha Catarina não havia lhe dado um herdeiro, o monarca alegava que tinha direito ao divórcio. O papa Clemente VII, diante da situação, excomungou Henrique que, em seguida, determinou que o Parlamento votasse os Estatutos da Supremacia. A partir daí, o rei se tornava líder supremo da igreja na Inglaterra, que recebeu o nome de “Igreja Anglicana”. Esse caso nos revela como a vontade dos monarcas era a de concentrar, cada vez mais, poder político em suas mãos.

Renato Collyer



Referências Bibliográficas
COTRIM, Gilberto. História Global: Brasil e Geral: Volume 2 – 1ª edição – São Paulo, Saraiva, 2010.
HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1982.
ARRUDA, José Jobson de A. e PILETTI, Nelson. Toda a História. 4 ed. São Paulo: Ática, 2000.
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 13. ed. São Paulo: Editora Martin Claret, 2001.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Confira na íntegra o segundo e mais recente álbum "Basta Uma Palavra". Todas as músicas foram compostas e produzidas por Renato Collyer e conta com a participação de músicos amigos. Ouça músicas cristãs no estilo Pop/Rock, Country, Folk e Adoração!

01 Deserto
02 Armadura
03 Basta uma Palavra
04 Chuva de Fogo
05 Amor Sobrenatural
06 Eu Não Consigo sem Você
07 Inabalável
08 Contigo Sempre Está
09 Livre Sou
10 Belo Sonho
11 Melhor Amigo
12 Não Posso Ficar Parado
13 Eu tenho a Fé
14 Nava Vai Me Separar
15 Teu Fluir
16 Deserto (acústico)


AVISO: CD produzido e disponibilizado pelo próprio artista. Todos os direitos reservados ao autor (Lei n. 9.610/98). Este CD pode ser copiado, exibido ou executado em outros locais, desde que sem fins lucrativos e devidamente citada a fonte, contendo o nome do artista.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Lutero e suas 95 teses


Martinho Lutero (1483-1546) era um frade católico que se rebelou contra a cobrança de indulgência pela Santa Sé e também contra o que ele julgava ser a decadência motal do clero. Excomungado em 1521, Lutero passou a pregar com o apoio de alguns príncipes alemães queriam se livrar do domínio católico. Segundo Lutero, para salvar a alma não bastam as boas obras, pois também é necessária a fé e por isso o praticante deve ler e interpretar a Bíblia por si mesmo. Foi um defensor da tradução da Bíblia para o idioma local. Sua teologia desafiou a autoridade papal na Igreja Católica Romana, pois ele ensinava que a Bíblia é a única fonte de conhecimento divinamente revelada e opôs-se ao sacerdotalismo, por considerar todos os cristãos batizados como um sacerdócio santo.

No dia 31 de outubro de 1517 foram afixadas as “95 Teses” na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Essas teses condenavam o que Lutero acreditava ser a avareza e o paganismo na Igreja como um abuso e pediam um debate teológico sobre o que as Indulgências significavam. Para todos os efeitos, contudo, nelas Lutero não questionava diretamente a autoridade do Papa para conceder as tais indulgências.


As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e amplamente copiadas e impressas. Ao cabo de duas semanas se haviam espalhado por toda a Alemanha e, em dois meses, por toda a Europa. Este foi o primeiro episódio da História em que a imprensa teve papel fundamental, pois facilitou a distribuição simples e ampla do documento. Aqueles que se identificavam com os ensinamentos de Lutero eram chamados "luteranos". 


Renato Collyer

quinta-feira, 6 de março de 2014

A administração da vida cristã


Tudo que somos e possuímos pertence a Deus, sendo ele o criador de tudo quanto existe. A bíblia nos esclarece que logo após o Pai ter criado o homem e a mulher, completando, assim, a obra da Criação, confiou a ambos a tarefa de administrar a terra e o que nela havia. Desse modo, percebemos claramente que o ser humano foi criado para ser o administrador de tudo quanto foi criado. O próprio Deus estabeleceu o homem como seu mordomo, sem, contudo, lhe entregar qualquer direito de propriedade, reservando para si as coisas que criou.

O direito de propriedade é, podemos dizer, a faculdade de dispor de uma coisa do modo que bem entender. Isso é justamente o inverso do que podemos fazer em relação a tudo que Deus nos concedeu. Nesse sentido, somos tão somente detentores. Sob o prisma bíblico, mordomia é a administração de nossa vida individual em toda sua extensão física, moral, material e espiritual. É o bem cuidar e o zelo de todas as atividades do cristão, tendo como orientação a Palavra de Deus.

Mordomo é aquele que administra a casa de seus patrões e zela pela integridade dos bens que ali se encontram guardados. A bíblia é a revelação da vontade divina, por esse motivo ela ensina o papel do servo de Deus como mordomo, administrador de tudo que pertence ao Pai. O ser humano, então, deve administrar com competência os bens confiados. “E disse o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o senhor pôs sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração? Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim. Em verdade vos digo que sobre todos os seus bens o porá” (Lucas 12.42-44).

A Bíblia ensina que através da oração o filho de Deus é cheio do conhecimento da vontade do Pai. “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” (Colossenses 1.9).

A plenitude da mordomia cristã requer que alguns requisitos importantes sejam seguidos à risca, como disposição, confiança e obediência na execução da vontade do Senhor. Basicamente, há três modos de identificação da vontade divina:

A vontade absoluta de Deus (Romanos 8.28-30) é a expressão de sua soberania, sendo imutável, inalterável. É a vontade que envolve todos as leis que regem o funcionamento do universo. Essa vontade está oculta ao homem. Tudo que Deus determinou segue um curso natural, não podendo ser alterado, pois já foi pré-estabelecido deste o início dos tempos. Por esse motivo, tem como característica principal a imutabilidade.

A vontade permissiva de Deus diz respeito ao poder que ele tem de consentir ou tolerar algum evento, seja positivo ou negativo, não importando o tempo e o lugar. Tenho um exemplo bastante interessante a respeito disso. Há alguns anos atrás, uma amiga me disse que um colega de faculdade a havia questionado o porquê de Deus permitir que terríveis mortes acontecessem no decorrer da Primeira e Segunda Guerra Mundiais. Creio que ele pegou o contexto das guerras por acreditar que tinha uma abrangência e disseminação maiores por parte da mídia mundial. O colega de faculdade de minha amiga não entendia a situação e colocava a culpa em Deus. Dizia que Deus era culpado, porque não fez nada para conter a situação ou para mudar o quadro. Minha amiga me disse que colocou fim à discussão quando perguntou para o rapaz: “Se eu apontar uma arma para sua cabeça e puxar o gatilho, de quem será a culpa: minha ou de Deus?”.

A partir dessa pergunta totalmente inesperada, também pude compreender o significado da vontade permissiva do Pai. Como já vimos, o mundo espiritual é regido por leis. Essas leis são justas e boas, porque a vontade do Senhor é santa, justa e agradável. Uma das leis criadas por Deus é a lei do livre arbítrio, que se encontra implicitamente na Bíblia. Você não vai encontrar nenhuma referência expressa na Palavra sobre essa lei. Nesse sentido, Deus não pode agir em conformidade com uma lei em detrimento da outra. O Pai jamais agirá de modo a anular o poder de escolha do ser humano. Do mesmo modo, Deus “pode”, mas não “deve” (por ir de encontro a uma lei estabelecida por ele próprio) interferir nos atos praticados pelos seres humanos, porque expressam seu livre consentimento, seu livre poder decisório.

Porém toda regra tem sua exceção, não é mesmo?

É evidente que Deus tem o poder de fazer prevalecer a sua vontade e impedir qualquer ação contrária, independente de quem seja. O Senhor, no entanto, em sua infinita sabedoria e providência, nem sempre interfere. Quanto à vontade preventiva de Deus, essa diz respeito à ação do Pai para alertar e prevenir o homem de algum mal ou pecado. Esse foi o caso de Labão, em Gênesis 31.24: “Veio, porém, Deus a Labão, o arameu, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Guarda-te, que não fales com Jacó nem bem nem mal”.

sábado, 26 de outubro de 2013


[Livro] A Essência do Louvor


Graça e Paz, amigos! Para quem curte literatura voltada ao ministério musical, estou disponibilizando esse pequeno livro que escrevi em meados de 2009/2010. Segue abaixo o link para download totalmente gratuito!

O livro aborda os seguintes temas:

- O poder da unidade do louvor
- O significado de ser um levita
- O louvor criativo
- O louvor apaixonado
- Louvor: o caminho para a presença de Deus
- O poder do louvor
- Vivendo em um ambiente de adoração
E outros assuntos...


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segunda-feira, 18 de março de 2013

Novo single: "Uma só voz"


A paz a todos! Estou postando abaixo a faixa título do meu novo cd, ainda em processo de mixagem, mas já pra ter uma noção de como vai ficar. Vamos ajudar a divulgar :)

Mp3 download (copie e cole no seu navegador)
https://soundcloud.com/renato-collyer




 . 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O poder que vem do alto:
Os princípios da oração do Pai Nosso


"Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
Perdoais as nossas dívidas, assim como perdoamos nossos devedores;
E não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém"

A oração conhecida como oração do Pai Nosso talvez seja a oração mais conhecida do Cristianismo. Ela está descrita no Evangelho de Mateus, capítulo 6, versículos 9 a 13.

Será que podemos encontrar uma definição bíblica para oração?
De fato, não há na Bíblia um conceito explícito do que seja oração. Não há fórmulas que a rotulam. De modo implícito, as Escrituras trazem diversas definições que se convergem a um ponto em comum: a oração é uma via de mão dupla por meio do qual o servo de Deus chega à sua presença. Durante esse sublime momento, Deus responde aos anseios de seus filhos.
Só pode haver oração sincera quando há intimidade com Deus. A oração é fruto de um relacionamento pessoal e único com o Senhor. Na oração, não apenas falamos, mas precisamos também estar dispostos a ouvir o que o Pai tem a nos dizer. O Espírito Santo age como intérprete nesse diálogo entre o Deus e o homem.
Assim como nosso corpo físico necessita de nutrientes para sobreviver, nossa natureza espiritual precisa ser diariamente fortalecida através da oração. A oração eleva o espírito humano, pois revela uma profunda amizade com Deus que tem como resultado um satisfatório crescimento espiritual.

A oração de Jesus, completamente sincera em seu objetivo, traz 8 principais aspectos:

Primeiro aspecto: Reconhecimento da Soberania Divina

“Pai nosso que estais nos céus”. Deus é o criador de todo o universo. Ele governa todas as leis da física. Na verdade, ele próprio as criou. Nada acontece sem o consentimento do Senhor. Ele tem o comando sobre tudo e todas as coisas o obedecem. O Pai Celestial, porém, não é um ditador. Sua autoridade é legítima em nossas vidas. O homem concede legitimidade para que Deus opere maravilhas em sua vida no instante em que o aceita e recebe o Seu Nome. Você deve estar perguntando como pode receber o nome do Senhor. Recebemos a graça de carregar o nome de Deus através do batismo nas águas, passando a fazer parte de uma grande família. “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus, capítulo 28, versículo 19).
Esse primeiro aspecto se revela o mais importante. Por esse motivo, nossa oração deve tomar como base o princípio de que Deus é soberano em nossas vidas. Esse não é um princípio explícito. Na verdade, está bem implícito quando conversamos com Deus. Não precisamos lembrar a cada momento que ele está nos céus, porque, de fato, ele está. Esse princípio deve estar em nós quando admitimos que o Senhor está acima de nós, observando-nos a cada momento. Não somente no sentido material ou físico, Deus está no controle de tudo. Literalmente.
É possível um vigilante ter uma visão completa da fortaleza se não estiver ao alto de uma torre? Se o vigilante estiver em terra, obtendo a mesma perspectiva que as demais pessoas, de nada adiantaria seu posto. Assim, Deus coordena tudo porque somente ele tem uma visão privilegiada de tudo que acontece. “Estais nos céus” quer dizer que nosso Pai está sempre atento. Mesmo que às vezes a situação nos parece conflituosa, pois estamos vendo apenas sob o nosso ponto de vista humano, Deus tem a melhor solução. A resolução está ao alcance de seus olhos e de suas mãos. Creia nisso.

Segundo aspecto: Reconhecimento da Santidade Divina

“Santificado seja o teu nome”. Peço permissão a você para contar algo curioso que presenciei muitas vezes. É incrível como alguns nomes ganham força devido à fama de seus detentores. Em minha adolescência, sempre que meu irmão e eu íamos à locadora de vídeos com meu pai, classificávamos os filmes pelos atores que faziam parte do elenco. É uma prática até muito comum quando nunca se ouviu nada a respeito do roteiro. Muitas pessoas fazem isso. Meu pai é uma delas.
Transcorridos alguns minutos em que estávamos na locadora, meu pai trazia consigo alguns filmes para nossa avaliação técnica nem um pouco confiável. “Olha este, o ator é muito bom. O filme deve ser bom. Este ator só faz filmes bons”. Meu pai dizia isso para nos convencer. E na grande maioria das vezes, ele acertava. Com exceção de alguns bons atores que não fazem bons filmes, os grandes atores gravam grandes filmes, ou até tornam um filme com um roteiro ruim um sucesso de bilheteria.
Compartilhei essa experiência para lhe mostrar a importância de um nome. Poderia ter citado outros exemplos, mas esse me pareceu mais simples e eficaz.
O nome carrega os atributos de uma pessoa. É a forma de individualizá-la. Um nome “sujo” não é nada agradável. Um nome “respeitável” exige certos cuidados e muito esforço. Em uma sociedade em que as pessoas são reduzidas a números (contas de banco, cartão de crédito, número do seguro de vida ou do carro, entre outros), destacar-se é algo dispendioso.
Quando reconhecemos a Santidade Divina, fazemos justamente isso. Damos o devido destaque a Deus. Quando o nome do Senhor é louvado, damos crédito para quem realmente merece. Santificar o nome de Deus também significa honrar o seu Nome.

Terceiro aspecto: Reconhecimento do Reino de Deus em nossas vidas

“Venha a nós o teu reino”. Alguns estudiosos interpretam essa passagem do ponto de vista escatológico. Sob esse enfoque, ela representa o reconhecimento da implantação do Reino de Deus no futuro, no arrebatamento.
Gosto de considerar esse trecho da oração de Cristo sob outro aspecto.
Quando permitimos que Deus reine em nossas vidas, abrimos mãos de nossas falsas certezas e passamos a direção de nossas vidas para o Criador do universo. O Senhor passa a nos conduzir em graça, fazendo-nos experimentar as maravilhas que ele tem preparado para nós.
Passamos a ter mais intimidade com o Pai, pois outorgamos a ele o controle da situação. Isso pode parecer fácil, mas é um dos requisitos mais difíceis da oração verdadeira. Não é fácil entender o Reino de Deus em nossas vidas, quando passamos por grandes dificuldades.
Não é pelo fato de Deus estar conosco que nada de mal irá nos acontecer. Porém, temos como aliado o Todo Poderoso e sua misericórdia sempre nos acompanhará.

Quarto aspecto: Submissão à Vontade Divina

“Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. Aceitar e entender que a vontade de Deus é sempre a melhor é a mensagem que Jesus nos transmite aqui. Ser submisso à voz do Senhor significa abrir mão de algumas coisas, vale dizer, é colocar os próprios desejos em segundo plano e estar disposto a aceitar o caminho que o Pai revela.
Estar debaixo da graça de Deus é o resultado imediato de estar submisso a ele. Quando nos submetemos a ouvir e atender seu comando, declaramos que ele é o Senhor de nossas vidas.

Quinto aspecto: Reconhecimento de que Deus supre as necessidades humanas.

“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Deus usa nossas próprias necessidades para nos ensinar sobre sua providência.
Imagine cerca de mais de três milhões de pessoas no deserto. Esse era o povo de Israel. Quantos quilos de alimento seriam necessários para suprir a fome de todos? Deus agiu de forma miraculosa!
Os israelitas deram o nome de maná àquele alimento. O maná caía do céu, indicando que é das mãos de Deus que vêm toda nossa provisão. “O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu” (João, capítulo 3, versículo 27). É dos céus que somos abençoados, tanto espiritual quanto materialmente.

Sexto aspecto: Disposição para perdoar e receber o devido perdão

“Perdoais as nossas dívidas, assim como perdoamos nossos devedores”. Note que encontramos algo bastante difícil de ser cumprido pelo homem: uma condição.
Em Mateus capitulo 18, versículos 23 a 35, Jesus contou aos seus seguidores uma interessante história:

“Por isso o reino dos céus pode ser comparado a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; e começando a fazer contas, foi apresentado a ele um homem que lhe devia dez mil talentos; e não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele e sua mulher e seus filhos fossem vendidos com tudo quanto tinham, para que a dívida fosse paga. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, seja generoso comigo, e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, o soltou e lhe perdoou a dívida. Saindo porém aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Seja generoso comigo, e tudo te pagarei. Ele porém não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, lhe disse: Servo malvado, perdoei toda aquela sua dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas”.

Você consegue perceber que seremos perdoados na mesma proporção com que perdoamos também? O perdão é uma prática que revela desapego às coisas materiais, pois é algo divino.

 Sétimo Aspecto: Proteção contra a tentação e as ações malignas

 “E não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. A partir do momento em que estamos em comunhão íntima com Deus, o inimigo tenta de todas as formas nos atingir. É a contraprestação pela unção divina em nossas vidas. A graça do Pai, no entanto, é suficientemente capaz para nos proteger e nos livrar dos atentados do inimigo.

Oitavo Aspecto: Adorar a Deus em sua Glória

“Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”. Nada melhor do que encerrar um pedido do que reconhecendo algo que se afirmou no início, mostrando perfeita harmonia entre todos os pontos analisados.
Adorar o Pai em sua Glória é adorá-lo em plenitude, reconhecendo suas características divinas e sua provisão. Como seria possível adorar ao Senhor sem reconhecer seu atributo divino? Esse último aspecto estudado nos remete a uma reflexão sobre o sobrenatural de Deus.
Reconhecer a glória de Deus é, principalmente, acreditar nele, ter fé no Senhor. Nossas orações não serão atendidas se não possuirmos uma fé genuína. “Cheguemos a Deus com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hebreus 10, capítulo 22, versículo 23).

Que o Pai Celestial sempre esteja com você!


Renato Collyer

terça-feira, 1 de maio de 2012

Levita: você se considera um?Levi, do hebraico Lêwi, ligado à raiz Iãwâ, quer dizer “juntar”. O nome Levi pertence a mesma família da palavra Haleluia.

Em Gênesis 29.34, está escrito: “E concebeu outra vez Lia e teve um filho, dizendo: Agora, esta vez se ajuntará meu marido comigo, porque três filhos lhe tenho dado; por isso, chamou o seu nome Levi”.

Como visto, o nome daquele que deu origem a tribo dos levitas significa unir. Essa união refere-se a união de Jacó (esposo) com Lia (esposa). Assim, percebemos que os levitas têm a responsabilidade de proporcionar a união entre Deus (esposo) e sua Igreja (esposa).

Vou lhe dar alguns minutos para que você reflita sobre minhas duas próximas perguntas:

- Como você tem exercido seu ministério?
- Você tem utilizado seu dom para gerar união ou para semear a desordem?

Pensou bastante? Reflita mais um pouco, por favor...

É muito comum nos referirmos aos ministros de louvor e aos músicos cristãos como “levitas”. Não encontramos, porém, referência alguma, no Novo Testamento, a ministros de louvor ou a músicos dentro da igreja. Jesus disse somente que Deus procura verdadeiros adoradores que “adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (João 4.23).

O apóstolo Paulo incentiva todos os cristãos a prestarem louvor a Deus com Salmos, hinos e cânticos espirituais (Efésios 5.19,20). “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Colossenses 3.16).

E quanto à origem do conceito de ser um “levita”, empregado em nossos dias? Como ele surgiu? Você se considera um? Você exerce a função de ministro de louvor ou é músico em sua igreja local? A seguir veremos que ser um levita nada tem a ver com música, pelo menos não no modo como alguns utilizam o nome para designar os responsáveis pela execução dos louvores dentro das igrejas.

Originalmente, ser um levita era ser descendente de Levi, um dos doze filhos de Jacó. A trajetória dos levitas começou a se projetar na história do povo israelita quando esses se manifestaram para servir unicamente ao Senhor, uma vez que os demais haviam se entregue à idolatria.

Moisés, ao descer do monte, contemplou toda a adoração feita ao bezerro de ouro e exigiu um posicionamento dos israelitas. “Pôs-se em pé Moisés na porta do arraial e disse: Quem é do Senhor, venha a mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi” (Êxodo 32.26).

Somente os levitas foram sensíveis ao chamado de Moisés. A partir de então, os levitas começaram a exercer funções de destaque, pois desejavam cumprir a vontade de Deus. O Senhor também nos convida a sermos santos, separados para ele e para os seus propósitos. Devemos ser diferentes em natureza e em caráter perante o mundo.

Os levitas se tornaram ministros de Deus, dentre eles sacerdotes, como os filhos de Arão, e os demais seus auxiliares. Mesmo os sacerdotes sendo também descendentes de Levi, no Velho Testamento era comum chamar de levitas os ajudantes daqueles. Os levitas (ajudantes) tinham a função de cuidar do tabernáculo e de seus utensílios, carregando-os, também, durante a viagem pelo deserto (capítulos 3, 4, 8 e 18 de Números).

Na Bíblia, está escrito que “Deus falou a Moisés: Faze chegar a tribo de Levi e põe-na diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam, e tenham cuidado da sua guarda e da guarda de toda a congregação, diante da tenda da congregação, para administrar o ministério do tabernáculo, e tenham cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação e da guarda dos filhos de Israel, para administrar o ministério do tabernáculo” (Números 3.5-8).

Naquele tempo, os levitas nada tinham a ver com a música no tabernáculo. A própria Lei de Moisés não havia estabelecido uma parte musical no culto. Ainda que não houvesse ordenamento quanto à música nas celebrações, as orações e os sacrifícios retratavam o sentido de louvor, adoração e ações de graças.

Sendo músico e compositor desde jovem, Davi foi o responsável pela inserção da música como parte integrante do culto. “E sucedia que, quando o espírito mau, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tocava a harpa e a tocava com a sua mão; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito mau se retirava dele” (1 Samuel 16.23).

A música de Davi tinha poder para afastar o espírito mau porque o Senhor era com ele (v. 18). Não adianta um músico tocar muitíssimo bem seu instrumento se o Pai não estiver com ele. A técnica não substitui a presença de Deus na vida de um músico. Jamais se esqueça destas palavras: a técnica não substitui a unção!

Davi atribuiu a alguns levitas a responsabilidade musical. Aos levitas também eram atribuídas diversas funções, como porteiros, guardas, padeiros e também cantores e instrumentistas. “E estes homens trabalhavam fielmente na obra; e os superintendentes sobre eles eram Jaate e Obadias, levitas, dos filhos de Merari, como também Zacarias e Mesulão, dos filhos do coatitas, para adiantarem a obra, e outros levitas, todos que eram peritos em instrumentos de música” (2 Crônicas 34.12).

O levita nos dias atuais

Mesmo não sendo descentendes de Levi, podemos utilizar a desiginação “levita”, fazendo um paralelo entre Israel e a Igreja de Cristo. Assim, podemos considerar como sendo um “levita” todo cristão que serve em qualquer ministério (e não unicamente o ministério da música). O levita é aquele que executa qualquer serviço ligado ao culto, desde o mais simples ou discreto até ao que mais se destaca.

Ser um levita é ser simplesmente um servo e não alguém que seja alvo da glória humana por estar em posição de maior visibilidade.

Os levitas designados por Davi para o louvor eram liderados por Asafe, Hemã e Jedutum. Eles profetizavam por meio de seus instrumentos musicais, como harpa, alaúdes e saltérios. “E Davi, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, e com alaúdes, e com saltérios...” (1 Crônicas 25.1).

Foi nessa época que a maior parte dos Salmos de Israel surgiu. O Espírito Santo falava ao povo por meio dos levitas. Se você realmente quiser ser chamado de levita precisa estar disposto a se sacrificar, caminhar em direção contrária ao pecado e seguir rumo a um nível de qualidade excelente em seu ministério, independente da função que exerça.


Renato Collyer

sábado, 30 de julho de 2011

As quatro lições sobre o amor excelente (audiolivro)
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O amor de Deus é o tema principal do quarto audiolivro de Renato Collyer. O autor nos mostra que somente através da comunhão diária com Deus somos capazes de viver em um nível de intimidade com o Pai que nos leva a caminhos mais altos de entendimento de sua Glória. Deixamos de ver as coisas espirituais com olhos imaturos e passamos a enxergar com maturidade as maravilhas do Senhor e seus propósitos em nossas vidas. Somente o amor de Deus é capaz de trazer a esperança e fortalecer a fé dos abatidos. O amor manifesto vem diretamente do coração do Pai, nos trazendo novo vigor e forças para caminhar.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O que é oração? (Parte 2 de 2)
A oração de Cristo, completamente sincera em seu objetivo, traz os seguintes aspectos:

Reconhecimento da Soberania Divina. “Pai nosso que estais nos céus”. Deus é o criador de todo o universo. Ele governa todas as leis da física. Na verdade, ele próprio as criou. Nada acontece sem o consentimento do Senhor. Ele tem o comando sobre tudo e todas as coisas o obedecem. O Pai Celestial, porém, não é um ditador. Sua autoridade é legítima em nossas vidas. O homem concede legitimidade para que Deus opere maravilhas em sua vida no instante em que o aceita e recebe o Seu Nome. Você deve estar perguntando como pode receber o nome do Senhor. Recebemos a graça de carregar o nome de Deus através do batismo nas águas, passando a fazer parte de uma grande família. “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (ênfase do autor) (Mateus 28.19).

Esse primeiro aspecto se revela o mais importante. Por esse motivo, nossa oração deve tomar como base o princípio de que Deus é soberano em nossas vidas. Esse não é um princípio explícito. Na verdade, está bem implícito quando conversamos com o Pai. Não precisamos lembrar a cada momento que ele está nos céus, porque, de fato, ele está. Esse princípio deve estar em nós quando admitimos que o Senhor está acima de nós, observando-nos a cada momento. Não somente no sentido material ou físico, Deus está no controle de tudo. Literalmente.

Seria possível um vigilante ter uma visão completa da fortaleza se não estiver ao alto de uma torre? Se o vigilante estiver em terra, obtendo o mesmo panorama dos demais, de nada adiantaria seu posto. Assim, Deus coordena tudo porque somente ele tem uma visão privilegiada de tudo que acontece. “Estais nos céus” quer dizer que nosso Pai está sempre atento. Mesmo que às vezes a situação nos parece conflituosa, pois estamos vendo apenas sob o nosso prisma humano e falho, Deus tem a melhor solução. A resolução está ao alcance de seus olhos e de suas mãos. Creia nisso.

Reconhecimento da Santidade Divina. “Santificado seja o teu nome”. Peço permissão a você para contar algo curioso que presenciei muitas vezes. É incrível como alguns nomes ganham força devido à fama de seus detentores. Em minha adolescência, sempre que meu irmão e eu íamos à locadora de vídeos com meu pai para conferir os lançamentos, classificávamos os filmes pelos atores que faziam parte do elenco. É uma prática muito comum quando nunca se ouviu nada a respeito do roteiro. Muitas pessoas fazem isso. Meu pai é uma delas.

Transcorridos alguns minutos em que estávamos na locadora, meu pai trazia consigo alguns filmes para nossa avaliação técnica nem um pouco confiável. “Olha este, o ator é muito bom. O filme deve ser bom. Este ator só faz filmes bons”. Meu pai dizia isso para nos convencer. E na grande maioria das vezes, ele acertava. Com exceção de alguns bons atores que não fazem bons filmes, os grandes atores gravam grandes filmes, ou até tornam um filme com um roteiro ruim um sucesso de bilheteria.

Compartilhei essa experiência para lhe mostrar a importância de um nome. Poderia ter citado outros exemplos, mas esse me pareceu mais simples e eficaz.

O nome carrega os atributos de uma pessoa. É a forma de individualizá-la. Um nome “sujo” não é nada agradável. Um nome “respeitável” exige certos cuidados e muito esforço. Em uma sociedade em que as pessoas são reduzidas a números (contas de banco, cartão de crédito, número do seguro de vida ou do carro, entre outros), destacar-se é algo dispendioso.

Quando reconhecemos a Santidade Divina, fazemos justamente isso. Damos o devido destaque a Deus. Quando o nome do Senhor é louvado, damos crédito para quem realmente merece. Santificar o nome de Deus também significa honrar o seu Nome.

Reconhecimento do Reino de Deus em nossas vidas. “Venha a nós o teu reino”. Alguns estudiosos interpretam essa passagem do ponto de vista escatológico. Sob esse enfoque, ela representa o reconhecimento da implantação do Reino de Deus no futuro, no arrebatamento.

Gosto de considerar esse trecho da oração de Cristo sob outro aspecto.

Quando permitimos que Deus reine em nossas vidas, abrimos mãos de nossas falsas certezas e passamos a direção de nossas vidas para o Criador do universo. O Senhor passa a nos conduzir em graça, fazendo-nos experimentar as maravilhas que ele tem preparado para nós.

Passamos a ter mais intimidade com o Pai, pois outorgamos a ele o controle da situação. Isso pode parecer fácil, mas é um dos requisitos mais difíceis da oração verdadeira. Não é fácil entender o Reino de Deus em nossas vidas, quando passamos por grandes dificuldades.

Não é pelo fato de Deus estar conosco que nada de mal irá nos acontecer. Porém, temos como aliado o Todo Poderoso e sua misericórdia sempre nos acompanhará.

Submissão à Vontade Divina. “Seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus”. Aceitar e entender que a vontade de Deus é sempre a melhor é a mensagem que Jesus nos transmite aqui. Ser submisso à voz do Senhor significa abrir mão de algumas coisas, vale dizer, é colocar os próprios desejos em segundo plano e estar disposto a aceitar o caminho que o Pai revela.

Estar debaixo da graça de Deus é o resultado imediato de estar submisso a ele. Quando nos submetemos a ouvir e atender seu comando, declaramos que ele é o Senhor de nossas vidas.
Reconhecimento de que Deus supre as necessidades humanas. “O pão nosso de cada dia nos daí hoje”. Deus usa nossas próprias necessidades para nos ensinar sobre sua providência.

Imagine cerca de mais de três milhões de pessoas no deserto. Esse era o povo de Israel. Quantos quilos de alimento seriam necessários para suprir a fome de todos? Deus agiu de forma miraculosa! (Êxodo 16.4-8).

Os israelitas deram o nome de maná àquele alimento. O maná caía do céu, indicando que é das mãos de Deus que vêm toda nossa provisão. “O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu” (João 3.27). É dos céus que somos abençoados, tanto espiritual quanto materialmente.

O maná caía todas as manhãs. Era sempre uma comida fresca, indicando que o amor do Pai não tem fim e suas providências se renovam a cada novo dia. O maná era o alimento exato dado pelo próprio Deus, suficiente para suprir as necessidades do povo todos os dias, sendo concedido até chegaram à terra prometida. Deus é o nosso sustentador! “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6.31-33).

Esse maná que alimentou o povo de Israel no deserto simboliza Jesus, como Pão do Céu. A respeito disso, podemos tecer algumas considerações relevantes:

O maná fornecido por Deus. O Senhor conhece nossas necessidades e trabalha em prol de supri-las da melhor maneira possível, pois ele ouve nossas orações. Nossa vida espiritual não pode ser alimentada pelo deserto. O deserto significa lugar de provação, não lugar de castigo. O fortalecimento dado por Deus, mesmo quando estamos no deserto, é suficiente, diário e disponível. O pão vindo do céu é a provisão dada pelo Pai mesmo em tempos difíceis. Quanto mais nos alimentamos das providências divinas, mais satisfação achamos no Senhor.

O maná colhido. O povo israelita precisava seguir certas condições para o bom aproveitamento do maná. Ele deveria ser colhido bem cedo todas as manhãs, revelando que o alimento espiritual deve sempre ser a nossa primeira preocupação. Cada pessoa deveria colher seu próprio alimento, não devendo estocá-lo ou reservá-lo a outro. O fato de ter que ser colhido diariamente revela que o maná era um alimento fresco, não podendo ser guardado de um dia para o outro. “Eles, pois, o colhiam cada manhã, cada um conforme ao que podia comer; porque, aquecendo o sol, derretia-se” (Êxodo 16.21).

Mesmo o maná sendo fornecido por Deus ao seu povo no deserto, esse alimento não pertencia ao ambiente. O maná não pertencia ao deserto. Era uma providência divina e não terrestre, representando a figura de Cristo na sua humilhação quando esteve neste mundo. Cristo é a providência (alimento) dado por Deus.

Disposição para perdoar e receber o devido perdão. “Perdoais as nossas dívidas, assim como perdoamos nossos devedores”. Note que encontramos algo bastante complexo de ser cumprido pelo homem: uma condição.

Em Mateus 18.23-35, Jesus contou aos seus seguidores uma interessante história: “Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; e, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; e, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem dinheiros, e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então o seu companheiro, prostrando-se a seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito, e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará, também, meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas”.

Você consegue perceber que seremos perdoados na mesma proporção com que perdoamos também? O perdão é uma prática que revela desapego às coisas materiais, pois é algo divino. “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniqüidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade" (Miquéias 7.18). Algumas outras referências: Neemias 9.17 e 13.22; Salmo 79.9 e 99.9; Isaías 55.7; Marcos 2.7; Atos 8.22; Efésios 4.23.

Proteção contra a tentação e as ações malignas. “E não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. A partir do momento em que estamos em comunhão íntima com Deus, o inimigo tenta de todas as formas nos atingir. É a contraprestação pela unção divina em nossas vidas. A graça do Pai, no entanto, é suficientemente capaz para nos proteger e nos livrar dos atentados malignos.

Adorar a Deus em sua Glória. “Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”. Nada melhor do que encerrar um pedido do que reconhecendo algo que se afirmou no início, mostrando perfeita harmonia entre todos os pontos analisados.

Adorar o Pai em sua Glória é adorá-lo em plenitude, reconhecendo suas características divinas e sua provisão. Como seria possível adorar ao Senhor sem reconhecer seu atributo divino? Esse último aspecto estudado nos remete a uma reflexão sobre o sobrenatural de Deus.

Reconhecer a glória de Deus é, principalmente, acreditar nele, ter fé no Senhor. Nossas orações não serão atendidas se não possuirmos uma fé genuína. “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hebreus 10.22,23).


Renato Collyer